sábado, 2 de outubro de 2010

O QUE É TDAH?

O QUE É TDAH?
É comum na área de educação hoje em dia, ouvir-se falar sobre hiperatividade; na realidade, as crianças pequenas apresentam características de desatenção e excesso de agitação, mas quando estes sinais persistem após os cinco anos, é possível ser um distúrbio chamado de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. (TDAH).
O transtorno é de origem genética e impede a criança de concentrar-se numa tarefa podendo resultar em um déficit de atenção e em sérias dificuldades de aprendizagem.

2.1 – CARACTERÍSTICAS E CAUSAS DO TDAH
ROHDE & BENCZIC (1999:39) caracterizaram o TDAH por dois grupos de sintomas: desatenção e hiperatividade (agitação) e impulsividade.
No grupo de desatenção as crianças com TDAH não conseguem prestar atenção a detalhes, cometem erros por descuido, demonstram uma grande dificuldade para concentrar-se em tarefas e ou jogos e por não conseguirem prestar atenção ao que lhes é dito, dão a impressão de estarem no “mundo da lua”; além disso, dificilmente conseguem terminar algo que começam a fazer, não conseguindo também seguir as regras e as instruções; são desorganizadas com materiais e tarefas evitando atividades que são exigidas um esforço mental maior; costumam perder coisas importantes facilmente e distraem-se com coisas que não têm nenhuma relação com o que está sendo feito.
Como sintomas do grupo de hiperatividade / impulsividade ROHDE & BENCZIC (1999) citam a incessante movimentação que essas crianças fazem com as mãos e os pés quando estão sentadas e das dificuldades em manterem-se sentadas por muito tempo; são crianças que parecem ter uma sensação interna de inquietude e por isso chegam a pular e a correr demasiadamente em situações inadequadas; ao jogar ou brincar, são muito barulhentas, agitadas, falam demais, respondem às perguntas quase sempre antes de terem sido terminadas, não suportam esperar a vez e intrometem-se nas conversas e jogos dos outros constantemente.
Estudos comprovam que o transtorno é causado por uma pequena disfunção cerebral que torna a pessoa incapaz de pensar claramente, de ter um humor estável, de manter as fantasias e impulsos sobre controle, de estar satisfatoriamente motivada na vida e de regular essa energia na proporção correta, dentro da situação em que se encontra. Além da falta de atenção, impulsividade, irritabilidade, intolerância e frustração, os portadores de TDAH têm maior tendência à depressão e uso de drogas e álcool.
Segundo TREDGOLD apud LEWIS (1993), no ano de 1908, o termo “disfunção cerebral mínima”, foi elaborado para classificar crianças que se mostravam impulsivas, desatentas e hiperativas. Contudo, não foi comprovado seguramente esse dado em todas as crianças com TDAH. Da mesma forma, foram acrescentados outros fatores como possíveis causas do TDAH: anormalidades genéticas, lesão perinatal, infecções, envenenamento por chumbo, traumatismo na cabeça, transtornos metabólicos, transtorno dos neurotransmissores, problemas dietéticos e fatores psicossociais. (LEWIS, 1993:387).
O PAPEL DO LÚDICO PARA A APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS COM TDAH NA PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA
A palavra lúdica, neste texto, será utilizada para indicar o processo de jogar, brincar, representar e dramatizar como condutas semelhantes à vida infantil.
Segundo VYGOTSKY (1988), PIAGET (1990), WINNICOTTI (1971), o jogo está presente como um papel de fundamental importância na educação, principalmente na educação infantil; no entanto, CHATEAU (1987) adverte para que a educação não se limite somente ao jogo, pois isso levaria o homem a viver num mundo ilusório e cita o jogo apenas como uma preparação para o trabalho, exercício, propedêutica. (CHATEAU, 1987:155). Sua teoria fundamenta-se nas relações mútuas entre jogo e trabalho; de acordo com o autor, o jogar exige um esforço muito grande, e quase sempre tem como objetivo cumprir uma tarefa; portanto, o jogo é um dever tanto quanto uma tarefa escolar; e desta forma, o jogo passa a ter um caráter moral. Além disso, o jogo e o trabalho possuem valores sociais. Jogando, a criança entra em contato com outras crianças, passa a respeitar os diferentes pontos de vistas, e isso irá favorecer a saída de seu egocentrismo original.
Em relação a esse aspecto, CLAPARÈDE, apud CHATEAU, (1987), confirma que é preciso tomar muito cuidado para que o jogo não se torne apenas um divertimento, desprezando essa parte de orgulho e de grandeza humana que dá seu caráter próprio ao jogo humano. (CHATEAU, 1987:124).
Conforme BROUGÈRE (1998), o jogo nos dá a oportunidade de descobrir informações sobre o nosso meio que contribuem para nossa visão de mundo, e para várias formas de aprendizagens. (BROUGÈRE, 1998:190). Através dos jogos, são exercitados aspectos físicos e mentais do indivíduo. Portanto, por que não aprender matemática, leitura, escrita, de uma forma prazerosa, interativa, em que trocamos pontos de vista, conhecemos melhor o outro, convivemos de uma maneira harmoniosa e feliz? Por mais que haja desgaste físico, algumas frustrações, o prazer que sentimos ao jogar, ao brincar, é imensurável.
O jogo chega a ser considerado por FREUD apud BOSSA, 2000 como uma atividade criativa e curativa, pois permite à criança (re) viver ativamente as situações dolorosas que viveu passivamente, modificando os enlaces dolorosos e ensaiando na brincadeira as suas expectativas da realidade. (BOSSA, 200:111).
O prazer moral proporcionado pelo jogo deverá ser transposto para a educação, calcada na atividade espontânea do jogo. A criança precisa superar obstáculos, precisa querer superá-los. De acordo com CHATEAU (1987), a verdadeira alegria, a alegria humana, é aquela que se obtém num triunfo sobre si, num domínio de si. Por mais cansativo que seja o jogo, o prazer da vitória é gratificante. (CHATEAU, 1987:128).
Como tão bem observou FERNÁNDEZ (2001) Brincando descobre-se à riqueza da linguagem; aprendendo, vamos apropriando-nos dela. Brincando inventamos novas histórias; o aprendizado permite historiar-nos, ser nossos próprios biógrafos. Jogar é pôr a galopar as palavras, as mãos e os sonhos. (FERNÁNDEZ, 2001:36).
Para MAIA, (1993), o jogo está presente nas mais diversas fases e atividades da vida humana, englobando desde o desenvolvimento físico, psicomotor e cognitivo até o afetivo e social. (MAIA, 1993:36).
Felizmente, a psicopedagogia surgiu para comprovar que é possível minimizar, as dificuldades de aprendizagem, através de intervenções em que sejam utilizadas atividades lúdicas.



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